A IA na advocacia já integra a rotina jurídica e impõe uma questão imediata ao profissional: como usar ferramentas disponíveis sem comprometer a responsabilidade técnica da atuação. A resposta não está em adotar tecnologia por impulso, mas em conhecer seus usos, limites e formas de aplicação no escritório.
Uma oficina prática realizada pela Escola Superior da Advocacia de Mato Grosso do Sul, em 7 de agosto de 2026, reuniu advogados para tratar justamente desse ponto. A programação abordou elaboração de prompts, aplicação de skills, automação de tarefas e outros recursos voltados ao cotidiano profissional, sob a perspectiva de uso ético, seguro e estratégico.
IA na advocacia serve para quais atividades da rotina?
A IA na advocacia foi trabalhada na oficina como recurso aplicável ao dia a dia dos escritórios, com foco em prompts, skills e automação de tarefas. O encontro não apresentou uma fórmula única de uso: colocou em debate como as ferramentas podem ser empregadas com eficiência e responsabilidade técnica.
O ponto central é prático. A atividade jurídica tem tarefas recorrentes, e a oficina se propôs a mostrar recursos tecnológicos dirigidos a essa rotina. Isso não reduz a discussão a uma demonstração de ferramentas: a proposta foi tratar da forma de utilização, incluindo a construção de comandos e a adoção de automações.
A programação indicou três frentes de trabalho:
- elaboração de prompts;
- aplicação de skills;
- automação de tarefas relacionadas ao cotidiano da advocacia.
Essas frentes aparecem conectadas. Um prompt é apresentado como parte da interação com a ferramenta; skills entram como recursos abordados na imersão; e a automação é vinculada à rotina dos escritórios. O dado relevante para quem acompanha o tema é que o treinamento foi estruturado para aproximar a IA de situações de trabalho, e não para discutir a tecnologia de modo abstrato.
Também houve referência a recursos que otimizam a rotina dos escritórios. A oficina, porém, colocou esse potencial ao lado de uma exigência expressa: o emprego da IA deve preservar a integridade da atuação profissional. A utilidade da tecnologia, nessa abordagem, não elimina a necessidade de responsabilidade de quem a utiliza.
Como elaborar prompts para uso jurídico responsável?
A elaboração de prompts foi um dos temas práticos da oficina, tratada como parte do uso das ferramentas de IA no trabalho jurídico. O encontro associou essa técnica ao emprego responsável da tecnologia, sem separar eficiência operacional e responsabilidade profissional.
O material da oficina partiu de uma dificuldade concreta: há diversas ferramentas de inteligência artificial no mercado, e a advocacia precisa compreender como empregá-las de forma responsável. A elaboração de prompts entrou nesse cenário como atividade prática, ao lado de automações e outros recursos de rotina.
A importância do tema está no próprio modo como ele foi apresentado. Não se tratou de prometer que um comando, por si só, resolve uma demanda jurídica. A oficina vinculou o uso dos prompts à necessidade de preservar a integridade da atuação profissional e de manter compatibilidade com a responsabilidade técnica da profissão.
Esse recorte também evita uma leitura simplificada do uso da IA. A ferramenta pode integrar a rotina, mas sua utilização exige aprendizado. A presença de advogados com diferentes tempos de profissão na atividade foi destacada como sinal de que a adaptação às novas ferramentas não se limita a quem está começando na carreira.
A oficina não detalhou critérios de aplicação de precedentes por tribunal ou relator. Por isso, o conteúdo apresentado não permite tratar uma resposta gerada por IA como solução uniforme para processos submetidos a julgadores distintos. A conferência do material jurídico continua relevante para uma atuação tecnicamente responsável.
O que são skills e automações na rotina do escritório?
Skills e automações foram incluídas na imersão como recursos voltados ao cotidiano da advocacia. A oficina tratou esses elementos dentro de uma proposta de aplicação prática da IA, associando-os à organização de tarefas e ao uso eficiente de ferramentas disponíveis no mercado.
O encontro não especificou quais skills foram utilizadas nem descreveu fluxos determinados de automação. Esse limite importa: não há, no conteúdo apresentado, uma lista de tarefas que possa ser replicada indistintamente por qualquer escritório. O que se sabe é que o treinamento abrangeu aplicações práticas e recursos dirigidos à rotina profissional.
A referência às automações apareceu ligada à busca de otimização do trabalho. Mas a própria apresentação reforçou que a adoção desses recursos não pode comprometer a integridade profissional. Em outras palavras, eficiência e responsabilidade foram colocadas como partes da mesma discussão, não como objetivos concorrentes.
Para a advocacia, essa abordagem desloca a pergunta. Em vez de perguntar apenas quais ferramentas existem, a questão passa a incluir como elas podem ser usadas de maneira ética, segura e compatível com a responsabilidade técnica. Foi esse o eixo informado para a oficina ministrada pelo advogado Revair Rodrigues Machado Neto.
Por que a capacitação em IA foi ligada à ética profissional?
A capacitação em IA foi apresentada como necessária porque a inteligência artificial já integra a rotina jurídica e as transformações do mercado são constantes. A oficina vinculou o aprendizado prático à utilização ética, segura e estratégica das ferramentas, com atenção à responsabilidade técnica da advocacia.
A Escola Superior da Advocacia de Mato Grosso do Sul abriu sua programação especial do Mês da Advocacia 2026 com esse tema. A escolha sinaliza que a atualização profissional, no contexto apresentado, não se resume a acompanhar novidades tecnológicas. Ela envolve preparar o profissional para lidar com ferramentas que já passaram a fazer parte de sua rotina.
O diretor-geral da ESA/MS, João Paulo Sales Delmondes, associou a iniciativa à qualificação contínua da classe. A vice-presidente da OAB/MS, Marta do Carmo Taques, também ressaltou que a agenda de capacitações contribui para a atualização da advocacia sul-mato-grossense.
Já o conselheiro federal Mansour Elias Karmouche destacou a participação de colegas com mais tempo de profissão e relacionou a disposição para aprender ao fortalecimento da advocacia. A mensagem é objetiva: o aprendizado sobre novas ferramentas é contínuo e alcança profissionais em diferentes momentos de carreira.
A preocupação ética não foi acessória. Ela surgiu no próprio objetivo da oficina, que procurou apresentar aplicação prática sem afastar a responsabilidade que acompanha o exercício profissional. O uso de IA foi tratado como tema de capacitação, e não como substituição da atuação técnica do advogado.
Onde encontrar a íntegra da oficina de IA da ESA/MS?
A íntegra da Oficina Prática de IA da ESA/MS está disponível no canal oficial da instituição no YouTube. O encontro ocorreu em 7 de agosto de 2026 e integrou a programação especial do Mês da Advocacia, com foco em usos práticos da tecnologia no exercício profissional.
A gravação permite acompanhar a atividade que reuniu representantes da OAB/MS, da CAAMS e da ESA/MS, além da exposição conduzida por Revair Rodrigues Machado Neto. Os temas informados incluem prompts, skills, automação e recursos aplicáveis à rotina dos escritórios.
Para quem busca formação no assunto, o conteúdo preserva um recorte útil: a inteligência artificial foi abordada como ferramenta já presente na rotina jurídica, mas cujo uso precisa ser aprendido de forma prática e responsável. A oficina foi construída em torno dessa combinação entre atualização profissional, aplicação cotidiana e atenção à integridade da atuação jurídica.